Redução de custo ou aumento de ganho: como driblar a crise.

por Fábio Alexandre Thieme e Celso Calia

Crise econômica e política, propinas sendo descobertas, governo desabando, desemprego em alta e tantas outras notícias devastadoras que escutamos nos fazem refletir como é duro se manter vivo no mercado. A concorrência neste contexto virou apenas mais uma dificuldade a ser superada.

Neste ambiente inóspito, olhamos para nossas organizações e nos perguntamos como devemos sobreviver.

A resposta é simples: redução de custo é a bola da vez. Precisamos aumentar a produtividade, reduzir investimentos, aplicar as técnicas tradicionais de melhoria de processos, etc.

Para amparar este foco, é necessário termos uma estrutura de levantamento de custo muito bem desenhada e controlada. Com esta base, podemos por exemplo:

Avaliar qual produto é mais rentável e portanto que deve ter sua prioridade de venda;

Quais processos necessitam de investimentos e quais irão reduzir o custo unitário dos produtos;

Quais processos podem ser terceirizados;

Quais pedidos podem ser aceitos e quais devem ser rejeitados.

Enfim, a informação de margem de lucro individual é o grande parâmetro para a tomada de decisão.

Será que este é o caminho? As vezes não nos perguntamos: por que, com todos os controles que temos e avaliações consistentes dos custos internos ainda geramos uma baixa rentabilidade das organizações? Será que temos que realmente “fechar” nossos empreendimentos?

Sem sombra de dúvidas, precisamos de organizações mais enxutas contudo, uma visão focada somente na redução de custo pode gerar uma certa “cegueira estratégica” a qual, ao invés de ajudar a empresa a crescer e a sobreviver, poderá levá-la a cair em um “buraco negro” e “morrer”.

Mediante este cenário e pensando de forma simples mas assertiva, Eliyahu M. Goldratt, criador da metodologia da Teoria das Restrições (TOC), desenvolveu uma metodologia chamada de “Bússola Financeira”.

Como o próprio nome indica, a Bússola Financeira é uma ferramenta financeira capaz de informar de maneira simples e objetiva o resultado de uma ideia, projeto, proposta, etc. voltada ao Resultado Global da empresa. Questões contábeis de rateio como por exemplo e a distribuição de custo de mão de obra direta e indireta não são levadas em conta uma vez que podem gerar conclusões falsas. Na sua essência, ela busca identificar o impacto no resultado para a empresa frente ao incremento ou redução de investimentos (máquinas, equipamentos, estoques, etc.), despesas operacionais (mão de obra direta, mão de obra indireta, gastos com peças de manutenção, despesas diversas, etc.) e o ganho gerado pela diferença entre as receitas e o custo de totalmente variável (CTV), sendo normalmente somente a matéria-prima.

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Figura 01 – Diagrama de Entendimento da Bússola Financeira

A composição destas variáveis gera uma informação relacionada com o Lucro Líquido da empresa e por consequência, no Retorno Sobre o Investimento (RSI). Com estas duas informações, o gestor pode entender melhor a atratividade da proposta e adotar a melhor decisão.

As perguntas que temos que fazer são bastante simples:

A proposta vai “realmente” aumentar ou diminuir a despesa operacional (ex.: vou ter que contratar mais pessoas ou realmente irei dispensá-las?). O investimento em aumento de capacidade de produção pode apenas gerar uma maior ociosidade das pessoas envolvidas portanto efetivamente não reduz custo?

A proposta vai aumentar o ganho da empresa. Vou vender mais ou o meu custo de
matéria-prima vai efetivamente reduzir?

O lucro incremental desta proposta (ganhos menos despesas operacionais) dividido pelo investimento necessário vai aumentar o RSI (Retorno Sobre Investimento) da empresa, comparado com o existente hoje?

Neste novo ambiente é comum ser observado, por exemplo, que produtos com margem de lucro individual pequena são na realidade nossos salvadores e terceirizações de alto custo (quando temos um gargalo) são na verdade as melhores saídas que irão trazer uma maior rentabilidade para a empresa.

As respostas aos questionamentos acima levarão o empresário a enxergar com maior exatidão o reflexo da proposta no resultado global efetivo da empresa. E é isso o que realmente importa, não é verdade?