Uma alternativa para o mercado de construção civil em um momento de incerteza no cenário político e econômico de nosso país

Por: William Lacava e Paulo Chakour

Empresas brasileiras e estrangeiras têm diminuído muito os seus investimentos no Brasil devido às incertezas do cenário político e econômico do país. E a redução no investimento impacta diretamente o mercado da construção civil. Mas é em momentos como estes que as empresas que atuam neste mercado precisam se reinventar e buscar novos diferenciais competitivos.

Qual seria o retorno financeiro de sua empresa se fosse possível entregar seus projetos atuais em menos tempo e com menos recursos?

  • Menor investimento durante a execução;
  • Antecipação dos benefícios do projeto;
  • Aumento do retorno sobre o investimento;
  • Clientes satisfeitos;
  • Diferencial competitivo perante seus concorrentes.

Se estes benefícios são vitais para sua empresa, saiba que suas obras podem estar desperdiçando grande parte do tempo de execução em fatores já conhecidos e que podem ser significativamente melhorados. Existem duas metodologias que, se aplicadas em conjunto, contribuem significativamente para eliminar os desperdícios e entregar os projetos em menos tempo: o Método da Corrente Crítica e o Lean Construction.

Um desperdício que pode ser eliminado está relacionado à segurança que normalmente é embutida nas durações de todas as atividades do cronograma. Ao embutir segurança em cada uma das atividades do projeto individualmente, as seguranças tendem a serem consumidas. A Lei de Parkinson descreve este comportamento, demonstrando que as atividades tendem a ocupar todo o tempo disponível para serem executadas. O Método da Corrente Crítica propõe que as seguranças sejam removidas das atividades individuais e agregadas em um pulmão alocado ao final do projeto. A segurança que era gerenciada pelo executante de cada atividade passa a ser executada pelo gerente do projeto. Além disso, pelo princípio da segurança agregada, a segurança passa a ser consumida em percentuais muito menores, permitindo que os projetos sejam executados em menos tempo.

O cronograma gerenciado pelo Método da Corrente Crítica identifica o impacto de cada atividade no consumo dos pulmões (impacto de cada atividade, no tempo total de execução do projeto). Esta informação permite que a gestão e a equipe de execução foquem seus melhores esforços nas atividades mais críticas. Como não são todas as atividades atrasadas que impactam realmente no cumprimento do prazo do projeto, a falta desta informação pulveriza o esforço de gestão por todas as atividades do cronograma, diminuindo o poder de atuação sobre os reais problemas dos projetos.

Diversas ferramentas do Lean Construction têm sido utilizadas no ambiente de construção, com o objetivo de diminuir desperdícios. Muitas destas podem potencializar os resultados da aplicação do Método da Corrente Crítica.

Outro fator de desperdício em projetos é a Multitarefa Nociva. No nosso dia a dia, somos estimulados e estimulamos, mesmo que inconscientemente, a execução de diversas atividades simultâneas por um mesmo recurso. Por consequência, ocorre um aumento do número de tarefas iniciadas em detrimento do número de tarefas que são finalizadas. O Kanban aplicado a projetos propõe a criação de um painel com três listas de atividades. Uma com um backlog de atividades que já podem ser executadas; outra com as atividades que estão em execução e; uma terceira, com as atividades que já foram executadas. Por ser uma ferramenta visual, ajuda a gestão a promover a eliminação da Multitarefa Nociva pela identificação clara da atividade que cada recurso está trabalhando.

A junção do Kanban com a Corrente Crítica permite que as atividades do “backlog de atividades que já podem ser executadas” sejam priorizadas pelo seu impacto na data de término do projeto, mantendo o foco em minimizar o tempo total de execução.

Uma das principais funções de um cronograma gerenciado pelo Método da Corrente Crítica é definir prioridade entre as atividades, para que cada recurso possa determinar em que atividade deve trabalhar em cada momento, de forma a diminuir o tempo total do projeto. Por este motivo, o Método da Corrente Crítica propõe que o cronograma seja detalhado no nível do recurso executante. Em muitos projetos da construção civil, para se obter este resultado, seria necessário a criação de cronogramas com um número muito elevado de atividades. No entanto, o Método da Corrente Crítica também propõe a criação de cronogramas enxutos, pois quanto mais enxuto o cronograma, maior é o poder de gestão sobre cada uma das atividades e maior será a capacidade do cronograma se adaptar às mudanças ao longo da execução.

O Last Planner permite a utilização de diferentes níveis de detalhamento dos cronogramas conforme as atividades vão ficando mais próximas da execução. Com isso, atividades que estão mais distantes e por consequência ainda incertas, são menos detalhadas e atividades que estão mais próximas da execução são detalhadas de forma progressiva.

Estes são apenas alguns dos benefícios da aplicação do Método da Corrente Crítica em conjunto com o Lean Construction no ambiente da Construção Civil. Os investidores buscam empresas que sejam capazes de reagir rapidamente à crise, através da otimização de seus processos. Eles estão à procura de empresas que sejam capazes de “fazer mais com menos”.

“A única forma de desvincular as tendências futuras do desempenho do passado é atuar adequadamente nas limitações/restrições do presente.” (Eliyahu Goldratt)